belos textos

Quem somos | Contacto | Colaboração | Novidades por e-mail

 

Belos textos

  educação | família | professor | eutanásia | liderança | vida | aborto | pensamentos

início

 

 

 »

Fora de moda

 »

De profundis

 »

O tempo que nos resta

 »

Divirtam-se!

 »

Inscrição

 »

Somos capazes

 »

O pote rachado

 »

Lágrima de preta

 »

Se

 »

Pedra filosofal

 »

Pelo sonho

 »

Porque

 »

Nunca mais

 »

Alma minha

 »

Sete anos

 »

Confiança

 »

Obrigado

 »

O lago

 »

O André

 »

Silêncio

 »

Morituri

 »

O leproso

 »

Palavras irreparáveis

 »

A desilusão

 »

Vai...

 »

Virgo

 »

As asas

 »

Mar de sargaço

 »

O Zero

 »

Diagnóstico

 »

O poeta beija tudo

 »

Até aos cumes

 »

Retrato de Mónica

 »

O homem

 »

Sentado na pedra

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Sophia de Mello Breyner - Nunca mais

 

 

 

Nunca mais
A tua face será pura limpa e viva
Nem o teu andar como onda fugitiva
Se poderá nos passos do tempo tecer.
E nunca mais darei ao tempo a minha vida.

Nunca mais servirei senhor que possa morrer.
A luz da tarde mostra-me os destroços
Do teu ser. Em breve a podridão
Beberá os teus olhos e os teus ossos
Tomando a tua mão na sua mão.

Nunca mais amarei quem não possa viver
Sempre,
Porque eu amei como se fossem eternos
A glória, a luz e o brilho do teu ser.
Amei-te em verdade e transparência
E nem sequer me resta a tua ausência.
És um rosto de nojo e negação
E eu fecho os olhos para não te ver.

Nunca mais servirei senhor que possa morrer.

 

(Sophia de Mello Breyner)